Relato da Travessia da Serra Fina

No meu post anterior busquei resumir um pouco a respeito da Travessia da Serra Fina, falando sobre algumas características e dicas do local, nesse vou tentar passar um relato em como foi o dia a dia da viagem.

Fechei um pacote com a empresa Wolf Survival Adventure comandada pelo Guia de Turismo Ricardo Oliveira, um cara muito gente boa que conhece a Serra Fina como a palma da mão, é de extrema importância que você faça com uma empresa de confiança que possua guias capacitados para te guiar em uma das travessias mais difíceis do Brasil.

O pacote estava R$390,00 e incluía o transporte São Paulo - Serra Fina - São Paulo, o guiamento e o café da manhã e jantar, achei o preço muito barato para 4 dias de viagem.

Olhem meu despreparo na primeira foto, de bermuda e camisa. Usem calça e camisa manga longa.

DIA 1

A saída estava marcada na sexta-feira as 23 horas no Tatuapé, éramos um grupo de 11 pessoas, 06 homens e 05 mulheres, achei bem bacana a quantidade de mulheres encarando a Travessia, mais uma comprovação de lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive com 15 kg nas costas, andando 04 dias, sem poder tomar banho e enfrentando todas as diversidades da trilha, cada vez eu vejo mais mulheres nas montanhas e isso tem que ser incentivado.

Chegamos no inicio da estrada por volta das 5 da manhã, a van não chegou ate a boca do trilha pois a estrada estava muito ruim, tivemos que descer duas vezes para desatolar ela e por fim, tivemos que andar 1km ate o começo da Travessia da Serra Fina.

O primeiro dia é o mais difícil na minha opinião e vou explicar o porque, primeiro que você ainda não se acostumou com a mochila que pesa 15 kg sobre seus ombros, seu corpo ainda não se acostumou a tudo isso, ele não entendeu que você terá que andar muito o tempo inteiro e além disso, o primeiro dia é onde tem as maiores e piores subidas da travessia. Então você já começa no hard, com muito choro e muitas dúvidas se você aguentará a travessia.

O objetivo era alcançar o Pico Capim Amarelo (2.491 m) e ultrapassar ele chegando na área de acampamento, foram 12 km com muita subida, o tempo foi agradável, somente no final do dia quando já montávamos o acampamento em um lugar chamado de Maracanã que começou a vir muito vento e uma garoa extremamente gelada, no fim começamos a ficar molhados, estava ruim de cozinhar e cansaço já marcava presença, fomos todos dormir sem jantar e torcendo para um dia de Sol no dia seguinte.

Eu erro, mas aprendo rápido, no segundo dia já estava de calça e a anorac que protegia meus braços. Ao fundo temos o Capim Amarelo.

DIA 2

Na noite anterior fui dormir sonhando em acordar com o tempo aberto e graças a Deus isso aconteceu, acordamos por volta das 07 horas da manhã e o Sol já sorria, conseguimos secar as roupas molhadas do dia anterior, preparar o café da manhã e desmontar o acampamento, hoje o objetivo era chegar próximo da base da Pedra da Mina. De todos os dias esse foi o mais tranquilo da Travessia, percorremos 07 km, praticamente sempre andando na crista da montanha, com o tempo tranquilo, sem fazer muito sol e sem chover, montamos nosso acampamento as 16 h e pudemos apreciar um pôr do sol acima das montanhas tomando uma pinga mineira, assim preparamos nosso jantar e fomos dormir cedo para descansar para o dia seguinte, porém no meio da noite nosso guia acordou e viu que o céu estava espetacular, e fez questão de acordar todo mundo para bater aquela foto. Ficou sensacional.

Olhem esse céu. Não preciso dizer mais nada.

Parte do grupo curtindo o céu estrelado.

DIA 3

Mais uma vez acordamos as 07 horas da manhã, tomamos café, desmontamos o acampamento e saímos as 09 horas com o objetivo de conquistar a QUARTA maior montanha do Brasil, o Pico da Mina (2.798 m), foram 08 km de trekking no total, mas aqui foi onde as coisas começaram a complicar. O tempo ficou fechado e começamos a enfrentar fortes ventos e chuva durante o dia inteiro, tivemos que passar pelo Vale de Ruah, que virou praticamente um pântano, isso significa bota e meias molhadas, nada legal. Assim fomos ate as 16 horas quando chegamos no nosso acampamento, já perto da base do Pico dos Três Estados, como choveu o dia todo estávamos com as roupas todas ensopadas, e ao abrir meu mochilão para montar a barraca, percebi que meu saco de dormir molhou praticamente inteiro, isso me deixou assustado e preocupado, o risco da hipotermia era real. Primeiro resolvi descansar, colocar uma roupa seca, me alimentar para aquecer o corpo e assim fui pensando no que eu faria para minimizar a situação do saco de dormir, assim peguei o fogareiro e busquei secar um pouco do saco de dormir, pelo menos nas piores partes e após isso eu amarrei duas sacolas plásticas no meu pé e comecei a esquentar agua e colocar em uma garrafa pet para colocar dentro do saco de dormir. Com essas 3 atitudes consegui reduzir o frio e esquentar meu pé, assim não morrer de frio a noite. Foram apenas 08 km, mas com o mau tempo o meu humor estava lá embaixo e só fui dormir pensando que no dia seguinte queria que fizesse aquele Sol.

Muitos fotos nos dois primeiros dias, poucas fotos nos dois últimos dias.

DIA 4

A manhã raiou, mas a chuva continuou infelizmente, fizemos o mesmo ritual de sempre, acordando um pouco mais cedo, as 5 da manhã para tomar café, desmontar acampamento e começar a trilha as 7 da manhã, o destino era o Pico dos Três Estados ( 2.656 m) a décima quarta maior montanha do Brasil. E lá fomos nós, molhados para 12 km de trilha, o dia 1 foi o mais puxado pelo cansaço físico, o último dia foi o mais cansativo mentalmente, estava muito molhado, dos pés a cabeça, não tinha levado luvas e nem touca, e nos últimos dois dias pegamos muita mata fechada, era muito capim e galho na cara, cortando a mão, prendendo na mochila e fazendo você ficar preso nos galhos, a cada situação dessas a irritação só ia aumentando. Foi o dia em que eu fiquei meio afastado do grupo, andando sozinho e com muita raiva hahaha estava extremamente cansado, costas doloridas, batata da perna daquele jeito, mas o pior era estar molhado já fazia mais de 24 horas, além disso tudo minha bota resolveu arrebentar na sola, tive que passar uma fita e andar com cuidado para não piorar a situaçao.

A subida ate o Pico dos Três Estados é tranquila e dali é praticamente só descida ate um lugar chamado PIERRE, uma casa simples, a 400 metros da estrada que serve um almoço mineiro para os mochileiros. Ao chegar ali, e colocar uma roupa seca, um chinelo e almoçar aquele prato de pedreiro e tomar uma cerveja gelada foi uma sensação maravilhosa e de dever cumprido, agora era só regressar para casa e descansar.

Muito vento e muita chuva nos dois últimos dias.

A Travessia da Serra Fina esta no meu Top 3 de trekking mais complicado que já fiz, e olha que estou em uma das melhores fases da minha forma física, e o mental vai bem, obrigado. Agora o que me faltou foram alguns materiais e um pouco de noção em relação que era certeza que pegaria chuva e não protegi meu saco de dormir como deveria, eu tenho um grave defeito de achar que as coisas ruins nunca acontecerão comigo, ate que elas acabam acontecendo.

Por isso se prepara e stay alive.

Espero que tenham gostado do relato, para qualquer dúvida só mandar mensagem pelas minhas rede sociais, estou presente no Instagram no rafacarvalho33 e no Facebook no Follow The Portuga.

**** Aos amigos do blog que vão viajar e reservar sua hospedagem, peço para usarem minha caixa de pesquisa na página inicial do site, assim o Booking repassa uma parte da comissão para mim, ajudando eu a seguir com o trabalho aqui no blog, isso não gera nenhum custo adicional para você. Valeu =] ****

Follow me

1/27

© 2023 por NÔMADE NA ESTRADA. Orgulhosamente criado com Wix.com

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now